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Chanceler: Prof. Electro Bonini
Reitora: Profa. Elmara Lúcia de Oliveira Bonini
Universidade é um conceito passível de várias significações
Ao longo de sua história, resumidamente, várias são as interpretações: universidade é um conjunto de faculdades, institutos, departamentos. Em alguns casos, vem acompanhada de um nome de cidade: Universidade de São Paulo, Universidade de Brasília, Universidade de Ribeirão Preto e tantas outras, demarcando um território geográfico e um modelo administrativo.
Em outro momento, a universidade se caracteriza como instituição de ensino superior. Para outros, universidade é uma instituição que se caracteriza pela pesquisa. Todas essas interpretações refletem um conjunto desarmônico, contradições, tensões várias que orientam internamente o modelo a ser implantado e externamente revelam a complexidade profunda de seu ser. Seria pretensão querer, nesta oportunidade, apresentar uma definição plena do seu todo. No entanto, sugerimos algumas pistas que podem explicitar melhor essa instituição: universidade vem de universal, reclama por uma visão ampla da sua unidade. É tão complexa quanto é a própria natureza do homem. Dividir suas funções e privilegiar uma em detrimento das outras é fragmentar o universo, é dicotomizar o seu ser. Não há dúvida de que é difícil entender esse todo como entidade cognitiva. Seus diversos componentes têm características próprias e específicas. E a tendência do homem é buscar a redução, a simplificação. Se pensássemos filosoficamente que o todo - o ser todo do universo - se faz de partes e que nelas estão contidas potencialmente o “todo”, vamos reconhecer que as partes, as atividades e as funções da universidade têm cada uma delas o potencial de todo o seu ser. Não cabe, pois, chamar de universidade parte de seu todo. A universidade não é uma ficção. Nela, a integração de suas atividades, a integração dos conhecimentos, das diferentes áreas de saber, a integração das ciências já expressam que o fundamental é edificado num ser total. A universidade é um “locus” de debates, de contradições de idéias, de pluralidades que convergem para o homem. Reconhecer no homem o sentido da investigação, explorar na realidade concreta novos significados e transmitir, sob formas diferentes de expressão, novas verdades revigoram a unidade do ser da universidade, significa preparar as pessoas para uma vida mais plena e uma atuação mais justa na sociedade. Explorar e criar novas realidades sem perder a noção do todo faz pulsar nas veias desse ser a sua identidade como “instituição FORMADORA”. Pensar a universidade é pensar em um espaço onde convivem múltiplas expressões do saber; é admitir a contradição e as tensões constantes no seu “que fazer” que vem de valores múltiplos, de engajamentos mais ou menos profundos, dependendo do olhar de cada um sobre a realidade concreta. Na universidade, o homem é o sujeito na edificação deste ambiente e na reconstrução da realidade social. Nesse mesmo “locus” é fundamental que o homem reconheça a si mesmo com suas múltiplas vocações, mas todas voltadas para uma unidade essencial. Portanto, não só a pesquisa, não só o ensino, não só a organização administrativa isolada e hierarquicamente privilegiada pode arrogar-se o direito de significar o todo. É urgente a construção da indissociabilidade da pesquisa, do ensino e extensão; não adotá-la como dogma, porém como tarefa a se efetivar. É possível aprender a olhar além da superficialidade, reconhecendo o que está invisível e conduzindo estratégias acadêmicas para um futuro de coesão social, de atitudes “FORMADORAS” pelo diálogo das ciências, diálogo dos homens, diálogo da organização com a sociedade. Isso implica em retomar o pedagógico na universidade. Ou a universidade significa um todo dinâmico ou não significa nada. |