
Vasos de bagaço de cana se decompõe
em 4 anos
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A cada dia o bagaço da cana-de-açúcar
ganha novas utilidades. Resultado da moagem da cana
nas usinas, o bagaço, antes considerado lixo,
hoje serve como alimento animal e sua queima gera energia
elétrica. Um novo projeto, desenvolvido na cidade
de Araraquara, interior paulista, transforma a fibra
da cana em vasos ornamentais.
De acordo com Mário Antônio Perriceli,
técnico agrícola e coordenador do projeto,
2 milhões de toneladas de xaxim são consumidas
em média só no Estado de São Paulo.
Mas extrair o xaxim hoje é crime ambiental. A
Lei Estadual 11.754, sancionada em outubro de 2004 pelo
Governador Geraldo Alckmin, proíbe a extração
e a comercialização do xaxim, reforçando
o que consta no Código Florestal de 1965, o Decreto
Federal de 1993 e a resolução do CONAMA
(Conselho Nacional do Meio Ambiente), de 2001.
Para a bióloga Ana Maria Soares Pereira o xaxim
faz parte da história da humanidade e não
pode ser desmatado. "A planta está em processo
de extinção e não deve mais ser
retirada das matas", conclui. O xaxim surgiu muito
antes do homem, há cerca de 600 mil anos, o crescimento
é lento e leva aproximadamente 50 anos para chegar
ao tamanho adulto (três metros de altura).
No Brasil, a produção de vaso de fibra
natural, que surge em substituição ao
xaxim, é ainda pequena. Para suprir a demanda,
Perriceli desenvolveu o projeto do xaxim ecológico,
que além de reciclar o bagaço da cana-de-açúcar,
reintegra ex-dependentes químicos à sociedade,
utilizando-os como mão-de-obra.
A pequena fábrica, instalada numa chácara,
hoje emprega quatro jovens, ex-dependentes químicos,
que moldam os vasos de ecoxaxim. O objetivo do programa
é trabalhar com a mão-de-obra não
qualificada, dando aos adolescentes a chance de se reintegrarem
socialmente. Segundo Perricelli, o projeto NAVE - Núcleo
de Apoio à Vida e à Ecologia - dá
oportunidade aos jovens de resgatarem a auto-estima.
"As comunidades terapêuticas cuidam dos indivíduos
e os devolvem para uma sociedade que não os aceita,
é preciso profissionalizá-los", afirma.
A fábrica, com capacidade de empregar 25 pessoas,
aguarda o crescimento das vendas para aumentar a capacidade.
Hoje, parte da produção, em média
5 mil vasos/mês é vendida para onze lojas
do Grupo Pão de Açúcar, que apóia
o projeto com mais 8 empresas da região de Araraquara.
Com o mercado interno e externo aquecidos, o projeto
NAVE espera instalar outros núcleos em todo país.
"Podemos instalar um núcleo ao lado de cada
usina de açúcar e álcool e reciclar
todos os dejetos que são depositados no meio
ambiente. declara Perriceli.
Outros trabalhos de reciclagem do bagaço da cana
estão sendo estudados pelo NAVE, seguindo exemplos
já utilizados em Cuba, como confecção
de portas, batentes de janelas, caixões funerários
e tijolos para utilização na construção
civil.
Edit or: Adriano Oliveira
Como
é feito o vaso
É uma espécie de adesivo atóxico
não poluente, patenteado pela Usina Zanin.
O adesivo, que pode ser liquido ou em pó,
é colocado dentro de um misturador junto
com o bagaço da cana-de-açúcar
e areia. Depois de misturados, a massa está
pronta para a confecção do chamado
ecoxaxim. As vantagens do vaso de xaxim ecológico
são o baixo custo de produção
e o poder de transformar-se em adubo natural. "Em
quatro anos ele se decompõe e reintegra na
terra, diz Perriceli. |
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